ARTISTAS

ACERVO ORGÂNICO E
SEMPRE EM EXPANSÃO

Conheça os artistas que participaram das residências artísticas e as obras que criaram para a Usina de Arte


 

Carlos Mélo

Suas obras transitam entre vídeo, fotografia, desenho, instalação, escultura e performance, em uma investigação sobre o lugar que o corpo ocupa no mundo. Através de anagramas e ações performáticas, o artista aproxima imagens e palavras, praticando um contorcionismo semântico. Busca fazer convergir o corpo em situações de interação com o entorno e quadros conceituais que o sugerem definido de modo relacional, operando simultaneamente um resgate de aspectos da formação cultural brasileira. Idealizou e realizou a 1ª Bienal do Barro do Brasil, Caruaru (2014). Participou de exposições coletivas como a 3ª Bienal da Bahia, Salvador (2014); no Krannert Art Museum, University of Illinois, Champaign, EUA (2013); no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife (2010 e 1999); no Itaú Cultural, São Paulo (2008, 2005, 2002 e 1999); dentre outras. Realizou exposições individuais na Galeria 3+1, Lisboa, Portugal (2010); no Paço das Artes, São Paulo (2004); e na Fundação Joaquim Nabuco (Recife, Brasil, 2000). Ganhou o Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas (2006). Vive e trabalha no Recife. Da residência na Usina de Arte, resultou a performance Berlinda, que revive as torturas sofridas por escravos no instrumento que dá nome à obra. O trabalho explora essa ferida a partir da perspectiva de liberdade e se desdobra em uma fotografia: Mélo sinaliza um tratado de paz a partir de um varal de lençóis brancos da casa-grande, fincado em uma das colinas da usina. A imagem está exposta na Casa dos Ladrilhos.

 

Daniel Acosta

Natural do Rio Grande do Sul, é doutor em Artes Plásticas pela USP (SP) e professor de Escultura na Universidade Federal de Pelotas (RS). Participou da 25ª Bienal de São Paulo (2002), da Bienal do Mercosul (1999, 2009 e 2011) e do Panorama da Arte Brasileira no MAM (1997). Tem obras no acervo de diversas instituições brasileiras, como Museu de Arte Contemporânea de Curitiba (PR); Museu de Arte Moderna da Bahia (BA); Museu de Arte de Santa Catarina (SC);
Museu de Arte de Brasília (DF) e Museu de Arte Moderna (RJ). Entre seus principais trabalhos estão esculturas-mobiliários que discutem a relação com a cidade. Para a Usina de Arte, idealizou o Epifitário, obra que ressignifica materiais "mortos" da Usina Santa Terezinha e os utiliza como suporte vital para plantas epífitas – espécies que se desenvolvem sobre outras plantas, sem ação parasitária. Está em fase de produção.

 

Daniel Santiago

Pernambucano, artista multimídia e professor, é um dos pioneiros da arte experimental no Brasil. Começou a trabalhar com desenho e xilogravura, expandindo sua poética para diversos outros formatos, como vídeo, fotografia, performance, happening, instalações e intervenções urbanas. Participou de centenas de exposições, no Brasil e no exterior, mas só em 2012 teve sua primeira mostra individual, Do que é que eu tenho medo?, no Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães - MAMAM. Foi um dos precursores e maiores expoentes da arte postal, que se consolidou como um movimento de oposição à ditadura militar no país (1964 a 1985). A crítica política, a poética do cotidiano, o desenhar da paisagem cultural e a interferência no fluxo da cidade são alguns dos traços marcantes da obra de Daniel Santiago. Seus trabalhos costumam questionar os próprios estatutos da arte, explorando a ironia e dialogando intensamente com o entorno. Para a Usina de Arte, Santiago está projetando uma obra que é um desdobramento da instalação Floresta do alheamento, inspirada em trabalho do poeta português Fernando Pessoa e inicialmente apresentada no MAMAM, em 2012.

 

Hugo França

Natural de Porto Alegre, hoje se divide entre Bahia e São Paulo. Desde os anos 1980 desenvolve "esculturas mobiliárias", executadas a partir de resíduos florestais e urbanos – árvores condenadas naturalmente, por ação das intempéries ou pela ação do homem.  Suas peças partem de um diálogo com a matéria-prima: são as árvores, cada uma com suas peculiaridades e marcas, que inspiram os trabalhos do artista. Hugo França foi o primeiro a participar de uma imersão criativa na Usina de Arte, voltando várias vezes para novas residências artísticas. Duas grandes esculturas mobiliárias do artista, criadas a partir dos troncos de árvores nativas, compõem o acervo do Parque Artístico-Botânico.

 

José Rufino

José Rufino vive e trabalha em João Pessoa. É professor do curso de Artes Visuais da UFPB e do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da UFPB/UFPE. Desenvolveu sua jornada artística passando pela poesia, poesia-visual e, em seguida, pala arte postal, até chegar aos desenhos e pinturas, ainda nos anos 1980. Nos anos 1990, deu início a uma longa série de instalações, RespiratioLacrymatioPlasmatioFaustusUlysses, dentre outras, sempre vinculadas a questões sociais e políticas. Diálogos dicotômicos entre memória e esquecimento ou opulência e decadência contaminam seu trabalho. Ao longo de 30 anos participou de mais de 200 exposições, incluindo as bienais de São Paulo, Mercosul e Havana e realizou grandes individuais, em espaços como Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba), Centro Cultural Banco do Brasil (Rio de Janeiro), Casa França Brasil (Rio de Janeiro), Museu Andy Warhol (Pittsburgh) e Palácio das Artes (Porto). Lançou em 2015 seu primeiro livro de literatura, Afagos, uma coletânea de contos publicada pela Cosac Naify. Na Usina, desde 2015 tem desenvolvido várias obras em torno das memórias trabalhistas e sociais da cultura sucroalcooleira da região, como a instalação com facões do corte de cana (Ligas), as séries de gravuras sobre documentos da empresa e monotipias de mãos de ex-operários (Opera hominum). A vídeo-escultura Insolentia, produzida para o Panorama da Arte Brasileira, é definida pelo artista como uma fantasmagoria do trabalho e vida de oito homens da antiga Usina, convidados para voltar ao velho almoxarifado. Na janela vermelha do vídeo Insolentia, pendurada com objetos em haste de ferro, o tempo gira e se reinventa e o artista se reinventa junto, misturando sua produção artística com as atividades como signatário e um dos fundadores da Usina de Arte.

 

Lais Myrrha

Natural de Belo Horizonte (MG), vive e trabalha em São Paulo. Mestre (2007) e doutoranda (2015) pela Escola de Belas-Artes da UFMG. Bacharel em artes visuais pela Escola Guignard, UEMG (2001). Contempladas com diversos prêmios, incluindo a I Bolsa Pampulha (2003).  Dentre as exibições coletivas destacam-se  Temporada de Projetos no Paço das Artes, São Paulo, e a 8ª Bienal do Mercosul, Porto Alegre (2011). Em 2013, a artista realizou a exposição individual Zona de Instabilidade  na CAIXA Cultural São Paulo e Brasília (2013 e 2014, respectivamente), foi selecionada para a 18ª edição do Festival Internacional de Arte Contemporânea do Videobrasil  e participou da exposição Blind Field at the Karnnet Museum, Illinois, USA. Em 2014, realizou o Projeto Gameleira 1971 na Pivô, São Paulo. Em 2016, teve obra comissionada para a Bienal 32 de Arte de São Paulo e itinerância da mesma mostra em 2017 para o museu Serralves. Ainda em 2017, apresentou obra comissionada para a mostra Avenida Paulista, MASP. Criada especificamente para a Usina de Arte, a obra A parte da terra é uma intervenção de grande escala na paisagem, na qual a seção  de um morro é trazida como elemento arquitetônico que remete a diversos tipos de construções: mirante, forte, muro. A partir de uma síntese precisa, a artista trabalha critica e  sensorialmente com a historicidade do espaço, que vem gradualmente abandonando a atividade canavieira à qual esteve ligado por décadas. O projeto está em fase inicial de implantação.

 

Márcio Almeida

Pernambucano, atua nas artes visuais desde a década de 1980, utilizando variados suportes. Suas obras figuram nos acervos de importantes instituições do Brasil, como Pinacoteca do Estado de São Paulo (SP); Museu de Arte Moderna (SP); Museu de Santa Catarina (SC); Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (PE); Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (RS); Museu de Arte Contemporânea Dragão do Mar (CE), Museu de Arte do Rio de Janeiro (RJ); Centro Cultural São Paulo (SP). Seus trabalhos costumam enfocar o comportamento humano, associado às noções de deslocamento, transitoriedade e pertencimento. Para a Usina de Arte, criou a obra Eremitério Tropical, edificação ao ar livre, baseada nas habitações e nos movimentos de isolamento dos eremitas. A obra, em formato labiríntico, será envolvida por uma pequena floresta de Trombetas de Anjos, planta com poderes alucinógenos. O trabalho oferece ao espectador, de maneira quase ritualística, uma área de permanência, convívio e reflexão, convidando-o a uma imersão na natureza em estado de performance individual ou coletiva. A obra está construída e as plantas estão em fase de crescimento.

 

Marcelo Silveira

O trabalho do artista pernambucano tem como essência o hibridismo, construindo-se a partir da relação entre os ambientes internos e externos, entre a funcionalidade e a subjetividade, entre ordem e caos. Participou da 1ª Bienal Internacional de Artes Plásticas de Buenos Aires, Argentina (2000); da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, Brasil (2005); da 4ª Bienal de Valência, Espanha (2007) e da 29ª Bienal de São Paulo, Brasil (2010). Realizou exposições individuais e coletivas em diversos museus e galerias, como Instituto Tomie Ohtake (SP), Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (SP), Centro Cultural Banco do Brasil (RJ e SP) e Galeria Nara Roesler (SP). Para a Usina de Arte, idealizou a obra Átrio, que evoca uma nova relação entre a casa-grande e a usina, construída e simbolizada por meio da arte. Em uma das colinas de Santa Terezinha, foi produzida uma réplica do pátio interno da casa, para onde confluem as demais subdivisões do espaço – físicas e culturais.

 

Paulo Bruscky

Artista multimídia e poeta pernambucano, é um dos principais nomes da arte conceitual no país. Participou de quatro edições da Bienal de São Paulo e suas obras integram acervos de instituições como Museu Solomon R. Guggenheim (EUA), Tate (Reino Unido), Centre Pompidou (França), Museu de Arte Moderna de São Paulo (SP) e Museu de Arte Contemporânea (SP). O artista possui uma importante coleção de livros e documentos sobre arte contemporânea, incluindo o maior acervo da América Latina sobre os grupos Fluxus e Gutai. Em 2017, Bruscky foi um dos quatro artistas brasileiros a participar da mostra principal da 57a Bienal de Veneza, onde protestou contra o tratamento da arte como mercadoria. No mesmo ano, apresentou uma retrospectiva de sua obra no Centre Pompidou, em Paris. Para Bruscky, o fazer artístico é, por si só, uma atividade política. Perseguido e preso durante a ditadura, foi um dos precursores da arte postal, que desafiava a censura imposta pelo regime militar no país (1964 a 1985). Para a Usina de Arte, idealizou a obra Brasil 2017, instalação que tem como base uma caçamba de lixo, aludindo à podridão da atual situação política brasileira. A obra está em desenvolvimento.

 

Paulo Meira

O artista pernambucano explora diversas mídias, como pintura, desenho, instalação, vídeo e performance. Suas obras compõem acervos de diversas instituições nacionais e internacionais. Para a Usina de Arte, Meira criou a Rádio Catimbó, obra composta de uma escultura que é, ao mesmo tempo, uma rádio comunitária. De natureza artística e educativa, a rádio, além de veicular programas produzidos pela comunidade de Santa Terezinha, pretende explorar o universo radiofônico no campo das artes visuais, sobretudo com experiências do próprio artista e convidados.

GALERIA DE IMAGENS

Lais Myhrra - prospecto da obra "A parte da terra". Foto: Divulgação.

Lais Myhrra - prospecto da obra "A parte da terra".

Carlos Mélo: performance "Berlinda". Foto: Divulgação.

Carlos Mélo: performance "Berlinda". Foto: Divulgação.

Prospecto da obra "Epifitário", de Daniel Acosta. Foto: Andréa Rêgo Barros

Daniel Acosta: "Epifitário" (em desenvolvimento). Foto: Divulgação.

Escultura mobiliária de Hugo França. Foto: Andréa Rêgo Barros.

Escultura mobiliária de Hugo França. Foto: Andréa Rêgo Barros.

José Rufino e a obra Tempus fluvium (peças mecânicas de ferro e réplica de ferro da antiga cadeira da Usina Santa Terezinha), montada na parede do Hangar. Foto: Divulgação.

Márcio Almeida: "Eremitério Tropical". Foto: Andréa Rêgo Barros.

Márcio Almeida: "Eremitério Tropical". Foto: Andréa Rêgo Barros.

Detalhe da obra "Eremitério Tropical", de Márcio Almeida. Foto: Andréa Rêgo Barros.

Paulo Meira: "Rádio Catimbó". Foto: Divulgação.

Paulo Meira: "Rádio Catimbó". Foto: Andréa Rêgo Barros

Marcelo Silveira: "Átrio". Foto: Andréa Rêgo Barros.

Marcelo Silveira: "Átrio". Foto: Andréa Rêgo Barros.

José Rufino: obras no "Hangar". Em primeiro plano, Scopulus (cadeira antiga da Usina Santa Terezinha e madeiras usadas na oficina mecânica). Ao fundo, Ligas (facões usados no corte de cana). Foto: Divulgação.

José Rufino: obras no Hangar. Em primeiro plano, Libertinus (peças mecânicas, correntes e funis soldados). Ao fundo, Res nullus (antigos funis de metais soldados). Foto: Divulgação.

Daniel Santiago: simulação da obra Floresta do alheamento.

Daniel Santiago: simulação da obra Floresta do alheamento.

INSTAGRAM
@USINADEARTE